Amigas do Peito

Por Clarissa Moraes de Sousa Bottari - Mãe Voluntária das Amigas do Peito

 

Antes de ser mãe eu sabia que as dificuldades eram muitas. Sabia que amamentar não era tão fácil para algumas mães por causa de todos aqueles problemas que sempre ouvimos falar – fissuras, leite empedrado, mastite etc. Mas uma coisa que eu não sabia é o quanto essa história de peso boicota a amamentação de muitas mães. Quando fui ao Banco de Leite pedir ajuda para aprender a amamentar meu filho, a nutricionista de lá contou sua história com a amamentação de sua filha. Ela relatou que teve que complementar porque a filha dela nunca ganhava peso suficiente só com seu leite. Sendo nutricionista, pediu até para fazer uma análise química do leite dela e tudo estava normal. Quando ela contou essa história eu pensei ‘será que isso vai acontecer comigo?’. E aconteceu, meu filho ganhou pouco peso. Participando dos grupos de mães eu comecei a ver o quanto é comum essa história do pediatra dizer que ganhou pouco peso, que o gráfico do bebê não está bom, e quantas mães começam a oferecer outros leites por causa dessa pressão. Algumas procuram informações, se empoderam, confiam no seu potencial de mamíferas e acreditam que são capazes de nutrir seu bebê, conseguindo então se libertar do uso do leite artificial. Mas muitas não conseguem, por pressão continuam dando outro leite, talvez por insegurança. Muitas vezes acaba acontecendo do bebê mamar cada vez menos, em alguns casos desmamar mais cedo. É um boicote muito grande a amamentação, boicote que vem de muitos pediatras, da indústria alimentícia, da própria sociedade que acabou por conceber como natural essa forma de alimentar os bebês. Acredito que a mulher deve lutar pelo seu direito de amamentar, e a sua principal arma deve ser a informação. A informação dá bases para que possamos questionar orientações e buscar junto ao profissional que nos assiste outras possibilidades de soluções. Na minha busca encontrei como alternativas para ajudar no ganho de peso do meu bebê a ordenha antes de amamentar para ajudá-lo a mamar o leite mais gorduroso e a complementação com meu próprio leite. Deu certo. Para mães que conheci nos grupos a alternativa foi complementar com outro leite até o bebê ficar bem no gráfico de peso, e assim deixaram de complementar. Cada mulher deve buscar seu caminho, suas soluções, mas acima de tudo se informando, porque isso é se empoderar. E digo por experiência própria, compartilhar e trocar com outras mães que vivem as mesmas dificuldades nos fortalece ainda mais nessa luta, pois percebemos que é possível vencer todas as dificuldades.