Amigas do Peito

Amigas do Peito contra as emendas da lei número 11 265 de 3 de janeiro de 2006.

Em nosso meio capitalista em que o marcado é que promove a necessidade e onde o comércio deixa de ser um relação entre pessoas e passa ser visto como uma colocação de produtos e um criar de necessidades, onde se transforma o acúmulo em regra, e abundância e abastança são sentidas como ter muito e mais e não ter o que me basta… como dar valor a um ato que está totalmente baseado em troca, em relação, em aqui e agora prover o quanto é necessário?

Amamentação - parece ser o contra-senso de tudo o que valorizamos e desejamos. Parece ser o contrário do apregoado pelo “impulso de economizar para ter no futuro”, amealhar, estocar e usar mais adiante…

Amamentação- seu valor não está indexado a produto de “consumo” e portanto fica difícil quantificar e mesmo valorizar esta prática, fica difícil não pensar em quantificar cada mamada, não se sentir inquieta/o por não saber quantos mililitros um bebê mamou em cada mamada. Infelizes criaturas somos os humanos que não temos peitos transparentes nem barrigas com “traços” que dão a referência dos mililitros ingeridos!.

Buscando justificativa de não haver apoio financeiro a muitas das iniciativas que envolvem apoio e promoção da amamentação nos deparamos com a realidade de que se formos trabalhar com a substância Leite Materno, a linguagem é mais concreta e imediata, a possibilidade de quantificar é concreta ( ou líquida!) e que isto é capaz trazer um entendimento ás pessoas que buscamos para apoiar projetos.

Imaginando que as mulheres que ajudamos nestes 27 anos de trabalho voluntário, (cerca de 180 mil ), tenham amamentado por apenas 100 dias, que os bebês tenham mamado apenas 30 ml por mamadas em 8 mamadas por dia teremos:

  • 100 x 8 x 30 x 180 000= 4 320 000 000      mililitros =4320000 litros de leite humano ….

Isto faz tremenda diferença se pensarmos em consumo de leite industrializado. E representa uma enorme perda na indústria leiteira. E este pequeno serviço duradouro, de poucas mulheres que apóiam outras mulheres na amamentação não é considerado responsabilidade de todos, compromisso social das pessoas, nem de empresas governamentais ou não na maioria dos casos.

Se levarmos estes cálculos para o número de brasileiras que amamenta e de quantas mais poderiam amamentar… aí sim que vamos entender a pressão exercida pelos empresários e representantes desta indústria no congresso nacional tentando que o marketing sem sempre muito ético seja permitido para influenciar as vendas e os lucros do setor. Cabe a cada cidadão refletir sobe seus valores, seus compromissos de vida e com a vida e com a sobrevivência de seus filhos e netos em relação à melhor qualidade de vida deles e do planeta.

Talvez se pensarmos que estas crianças que hoje não votam serão os eleitores de amanhã, se estiverem vivos … isto faça os deputados e senadores reverem posições que arriscam as vidas de bebês por conta de um aumento de lucro de segmento da sociedade e de muitas multinacionais…