Amigas do Peito

“Cada filho que amamentei, foi uma história diferente, nem por isso fácil. Mas tive o exemplo de minha mãe que me deu o peito até três anos e embora eu tenha vivido essa experiência por quatro vezes, quero falar de uma em especial: a do meu primeiro filho. Com 21 anos estava cheia de ideais. Queria que meu primeiro filho nascesse de um parto natural, na penumbra, para não ofuscar seus olhinhos, e de preferência com um fundo musical. Acabei numa sala de parto barulhenta, cheia de luzes e num parto natural nada normal. Meu filho acabou no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), por conseqüência de um asfixia.  Fiquei 16 dias de plantão no corredor do hospital, olhando pela janelinha da porta do CTI com os peitos cheios e doloridos. Ninguém me disse o que fazer com esse leite, que mesmo sem estímulo continuava a ser produzido. Foi então que procurei ajuda no banco de leite do próprio hospital, que me ordenhou e me ensinou como fazê-lo em casa para posteriormente ser oferecido por sondinha ao meu filho. À noite eu ordenhava meu leite com a ajuda de uma bombinha (ai como doía) e lá estava eu no dia seguinte, com o meu potinho de maionese cheinho de leite para entregar no banco. Os dias foram passando e minha rotina era a mesma: aguardar no corredor do hospital a boa notícia da alta do meu filho. Um dia me deixaram segurá-lo sem no entanto poder amamentá-lo, mas ele continuava tomando o meu leite pela sondinha e ficando cada vez mais forte. Acho que as enfermeiras ficaram com pena por eu passar tanto tempo no corredor do hospital esperando que me deixassem entrar nem que fosse só um pouquinho… Eu conversava com ele, o acariciava, e um belo dia um médico me disse para que eu tentasse oferecer meu peito.  A sensação foi indescritível, estava toda desajeitada, mas me sentia poderosa, e no meio de um monte de gente, me deram uma cadeirinha para eu sentar. Eu amamentei.  Ele, meio fraquinho, sugava um pouco e dormia. Uma enfermeira sugeriu que eu fizesse cócegas no seu pezinho para despertá-lo. E foi assim: ele dormia e eu fazia cócegas no pezinho para acordá-lo. E quietinha para não chamar a atenção dos médicos e acabar sendo convidada a me retirar da sala por estar atrapalhando, fui me ajeitando com meu filho e dando o que eu tinha de mais precioso naquele momento, além do meu amor. Em poucos dias ele teve alta, e desde então éramos unha e carne, ou melhor, boca e peito, e isso aconteceu por mais de 2 anos, quando engravidei da minha segunda filha, mas isso é uma outra história…”

Depoimento de Christine Melcarne, voluntária das Amigas do Peito. Publicado no blog Melcarne Nutrição.