Amigas do Peito

Amamentação prolongada e paralela

Mais de dois anos de amamentação e filhos de idades diferentes mamando.

Se a gente reconhece que a amamentação é, também, uma forma de relacionamento,  cabe a  cada  família determinar  a hora de encerrar esta etapa  para passar  para a  seguinte.

Na nossa experiência, vemos que é comum, entre mães que amamentam tranquilamente, manter a amamentação como é recomendada pela Organização Mundial de Saúde: por dois anos ou mais.  Entretanto  podemos olhar  ao nosso redor  e  ver que em grupos  afastados da civilização consumista em que estamos, a amamentação é prolongada por muito  mais tempo,  respeitando fatores  culturais e condições locais.

Podemos verificar que entre os mamíferos e principalmente os primatas, o mais comum é amamentar até a troca dos dentes de “leite”, ocorrendo algumas  vezes, como nas pessoas, amamentação de  duas  crias de idades  diferentes  num mesmo período.  O bom senso, o respeito e a atenção aos motivos  de se prolongar a  amamentação é que dão os limites e  dizem  quando parar. LIMITE é um dos fatores fundamentais para o desmame e para se buscar outra forma  de manifestação  do  amor, de nutrir  e  trocar.

Amamentando dois

Algumas famílias precisam encerrar um ciclo para iniciar outro e  necessitam  desmamar uma criança  quando engravidam  novamente ou para engravidar novamente. O maior risco de abortamento  durante  uma gravidez  em que ainda  há a  amamentação é  o início,  mais  ainda quando  a mãe nem  sabe  que está GRÁVIDA. Entretanto é fundamental estar  alerta quando  existe  ameaça  real  de  aborto com cólicas intensas  e  perdas  sanguíneas,  o que é um  motivo de  desmame bem indicado.

Cada família sabe como se adaptar ao novo bebê, e algumas  mães “deixam“ um peito para o mais velho dos filhos e  separa o outro para o   novo bebê (claro que na ausência do primeiro, o bebê “tem  que  aliviar o peito da mãe” e acaba  mamando os  dois). Como o maior vai mamar menos vezes isto não costuma  causar problemas. Ainda há outras que  dão o peito  aos  dois  ao mesmo tempo nas mamadas “compartilhadas” principalmente de início e  final de dia.

Bem interessante é saber o que Kelly Bonyata fala no boletim da WABA:

Benefícios da amamentação prolongada

Kelly Bonyata

Amamentar crianças maiores têm benefício nutricional.  Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança é muito parecido com o leite no primeiro ano (Victora, 1984).


No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança:
95% do total de vitamina C necessário  
45% do total de vitamina A necessária
38% do total de proteína necessária
31% de caloria do total necessária (UNICEF/Wellstart: Promoting Breastfeeding in Health Facilities: A short course for Administrators and Policy Makers; WHO/CDR 93.4)


Leite materno permanece sendo um fonte importante de proteína, gordura, cálcio e vitaminas mesmo após os dois anos de vida (Jelliffe and Jelliffe, 1978)


Alguns médicos podem pensar que a amamentação vai interferir em relação ao apetite da criança para outros alimentos. Contudo não existem pesquisas indicando que a criança amamentada têm maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou.
Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue para crianças com desnutrição severa (Briend et al, 1988; Rhode, 1988; Shattock and Stephens, 1975; Whitehead, 1985).

Crianças maiores que ainda amamentam adoecem menos
Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam recebendo os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).
Um estudo de Bangladesh demonstra, dramaticamente, os efeitos que essa imunidade pode ter. Nessas péssimas condições de vida, descobriu-se que crianças desmamadas entre o 18º e 36º mês de vida dobraram os riscos de morte (Briend et al, 1988). Este efeito foi atribuído especialmente aos fatores de imunidade, apesar de que, provavelmente a nutrição também foi muito importante.
Claro que, em países desenvolvidos o desmame não é uma questão de vida ou morte, mas a amentação por mais tempo pode significar menos idas ao pediatra. Crianças entre 16 e 30 meses, que ainda são amamentadas, adoecem menos e por menos tempo que as que não são (Gulick, 1986)

Crianças amamentadas têm menos alergias
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas (Savilahti, 1987).

Crianças amamentadas são mais espertas
Crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas (Horwood and Fergusson, 1998). Os autores desse estudo, que acompanhou crianças até os 18 anos descobriram que quanto mais tempo as crianças são amamentadas, maiores as notas que recebem nas avaliações.

Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente
Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período de amamentação o ajustamento social em crianças de 6 a 8 anos de idade. (Ferguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: "Existem tendências estatísticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação". Mamar durante a infância ajuda bebês e crianças a fazer uma transição gradual. Amamentação é um amoroso jeito de atender as necessidades dessaa crianças e bebês. Ajuda a superar as frustrações, quedas e machucões e o stress diário da infância.
Atender as necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único da criança é a chave para ajudar a criança a alcançar sua independência. Crianças que conquistam sua independência em seu próprio ritmo são mais seguras dessa independência que as crianças forçadas a isso prematuramente.

Amamentar crianças maiores é normal


A "American Academy of Pediatrics" recomenda que as crianças sejam amamentadas por ao menos todo o primeiro ano de vida, e por mais tempo se a mãe e o bebê quiserem (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS Policy Statement, 1997). A Organização Mundial de Saúde reforça a importância de amamentar até os dois anos de vida ou mais (Innocenti Declaration, 1990). A média de idade de desmame, em todo o mundo é de 4.2 anos. (Davidowitz, 1992)

Mães que amamentam por mais tempo também são beneficiadas


· A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
· A amamentação reduz o risco de câncer de ovário (Schneider, 1987)
· A amamentação reduz o risco de câncer de útero (Brock, 1989)
· A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio (Petterson, 1986)
· A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, quando o bebê é desmamado. Isso Não depende de um suplemento adicional na alimentação da mãe. (Blaauw, 1994)
· A amamentação reduz o risco de câncer de mama (McTieman, 1986; Layde, 1989; Newcomb, 1994; Freudenheim, 1994).
· A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética (Davies HA, British Med J, 1989).