Amigas do Peito

Boletim  Peito Aberto

Ano 23, Número 74 - Julho de 2011.

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Sumário

1.     Editorial – Semana Mundial da Amamentação –Amamentação em 3D

2.    Conversando sobre amamentação – Um depoimento sobre amamentação e empoderamento

3.      Rede de Apoio – Você já faz parte?

4.      Lojinha: A boneca- presentes

5.      Especial: Mulher – Sexualidade – Amamentação

6.      Agenda

7.      Expediente

 

 

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1. Editorial 

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      SEMANA MUNDIAL DA AMAMENTAÇÃO

 

Do dia 01 a 07 de agosto todo o mundo estará comemorando a Semana Mundial de Amamentação. No Rio de Janeiro a Abertura Oficial da Semana será dia 01 de agosto numa cerimônia que será realizada nos jardins do Palácio do Catete, às 9h. As Amigas do Peito estarão participando do Seminário “Amamentação: uma experiência em 3D” promovido pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, juntamente com o Grupo Técnico Interinstitucional de Aleitamento Materno no dia 03/08. Falaremos do nosso trabalho nesses 30 anos e como a amamentação em 3D foi aos poucos se incorporando no nosso trabalho através dos e-mails para as mães, listas de discussões virtuais e redes sociais. E as comemorações não param por aí. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro está organizando a I Semana do Bebê Carioca que contará com um grande evento de mobilização popular no dia 28/08, domingo, no Aterro do Flamengo. Estaremos realizando um Amamentarte neste momento histórico da cidade do Rio de Janeiro.

 

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2. Conversando sobre amamentação – Um depoimento sobre amamentação e empoderamento

* Por Clarissa Moraes de Sousa Bottari, mãe do Pietro (1 ano e 10 meses)

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O Pietro nasceu de uma cesárea não desejada. Mas isso é uma outra história. A questão é que isso para mim foi um dos fatores que interferiu negativamente no começo da amamentação. Antes de ele nascer eu cheguei a ir a uma reunião das Amigas do Peito, pois apesar de trabalhar na área de saúde nunca achei que comigo as coisas seriam mais fáceis, pelo contrário, pensava até que poderiam ser mais difíceis. E foram bem difíceis… O Pietro nasceu às 21h31 e só veio ficar comigo depois da meia noite. Quando ele chegou a primeira coisa que fiz foi colocá-lo para mamar. Eu ali, sem jeito, movimentos limitados porque ainda estava anestesiada, coloquei meu filho para mamar da melhor forma que consegui. E ao invés de ser apoiada ouvi da técnica de enfermagem que me assistia que ele estava com ‘a pega errada’. A ajuda dela limitou-se a enfiar mais o meu peito na boca do meu filho. Ela saiu do quarto e a impressão que meu marido teve e me disse depois é de que ela estava com muita má vontade para ajudar. Após uma madrugada inteira tentando amamentar como conseguia meus mamilos estavam doloridos, vermelhos. Nessa tal maternidade, referência na rede privada aqui no Rio de Janeiro, existe um Grupo de Amamentação. A minha obstetra pediu para a enfermeira desse grupo conversar comigo. Estranhei as orientações, pois depois de muito me informar e até questioná-la sabia que algumas coisas não eram recomendadas, como fazer aquela mão em tesoura para dar o peito para o bebê. Mas na minha inexperiência, querendo tentar fazer a tal ‘pega correta’ e diminuir a dor que já era bastante incômoda, eu fiz o que ela falou. E não adiantou, ele continuava com a ‘pega’ errada, a amamentação era com dor, eu fui para casa numa sexta e passei o fim de semana com dor. Nesse período meus mamilos ficaram bastante machucados. Somente na segunda eu falei com a minha obstetra e busquei ajuda com uma pessoa que ela me indicou. Essa pessoa me orientou buscar um Banco de Leite, e no dia seguinte eu fui. Esse Banco de Leite pertence a um hospital municipal e eu passei a manhã lá, até aprender a dar o peito para meu filho. A mídia, a população, todos criticam o SUS, mas foi lá que eu encontrei a orientação e o cuidado que as pessoas da rede privada não tiveram competência para me dar. Daí em diante segui todas as orientações para cuidar dos mamilos feridos, mas cada mamada era uma dor, um sacrifício, uma angústia. As semanas se passavam e a dor permanecia, a cicatrização demorava. Eu chorava e me sentia a pior das mães. Me perguntava por que aquilo tudo comigo, quando eu teria prazer em amamentar. Culpava a cesárea, culpava a maternidade onde ele nasceu… O apoio do meu marido foi fundamental. Ele sempre me incentivou, apesar do sofrimento. Colocava música para eu relaxar nos momentos em que ia amamentar, ficava com o Pietro para eu poder descansar. Apesar daquilo tudo não entrava na minha cabeça dar outro leite que não fosse o meu, e eu lutava contra toda aquela dor. Escrevi para as Amigas e fui à reunião de Botafogo. Foi o apoio que eu precisava, a Karina me ensinou uma posição para amamentar que causava menos dor. Quando o Pietro completou 1 mês, as feridas cicatrizaram. Ainda sentia um desconforto no mamilo direito, mas com o tempo isso passou. Só que aí veio a segunda prova de fogo: Pietro ganhou pouco peso. Na verdade, eu já estava achando que isso estava acontecendo porque percebi que ele cresceu, mas não percebia ficar mais fortinho. O momento em que eu vi na balança que ele ganhou pouco foi muito, muito difícil. Na mesma hora pensei “meu Deus, agora vai ter que complementar!”. Ao menos o pediatra demonstrou flexibilidade, ele deu 15 dias para observarmos o ganho de peso dele e disse que achava que o que aconteceu foi um problema de ajuste no início da amamentação. Eu fiquei desolada, só pensava o quanto dar outro leite, coisa que para mim era inadmissível, iria atrapalhar a amamentação. Fiquei paranóica. Na primeira semana o pesei umas três vezes. E ao final de 7 dias ele só tinha ganho 30g. Procurei novamente a mesma pessoa que me indicou o Banco de Leite, fui na reunião das Amigas na Tijuca. Felizmente o problema era mesmo de adaptação: como muitos recém nascidos o Pietro dormia demais e mamava de menos. Tive que ter muita paciência com ele, ficava bastante tempo com ele no peito, acordava, trocava a fralda, tirava a roupa, tentava fazer ele ficar desperto. Comecei a complementar com meu próprio leite, a nutricionista que me ajudou em todo esse processo me ensinou a tirar o meu leite no final da mamada, porque o Pietro não chegava a deixar meu peito mais vazio depois que mamava. Aí eu oferecia esse leite com a técnica de relactação, quando não dava para ordenhar depois eu tirava o leite antes, foi uma dica para facilitar o ganho de peso que a Maria Lúcia e a Rose me deram. Fiz isso por uns 20 dias, voltei ao pediatra e o Pietro ganhou quase 1kg! Quando ele completou 2 meses começou a ficar esperto, dormir menos e mamar mais, e daí para frente continuou ganhando bastante peso. Tenho muito orgulho de dizer que nunca dei outro leite para ele que não fosse o meu. Até 6 meses ele era mais magro do que os outros bebês. As pessoas achavam que ele era mais novo, davam menos tempo de vida para ele. Acho que isso é muito difícil para uma mãe, essas comparações com outros bebês, mas eu aprendi que meu filho é único e isso foi bom para mim, porque até hoje eu procuro não comparar ele com outras crianças. Nesse primeiro ano de vida dele participei de muitas reuniões das Amigas do Peito e isso foi muito importante nessa fase da minha vida. O início da maternidade foi um momento de muita solidão, nos grupos eu podia compartilhar com mulheres que viviam a mesma fase e problemas tão parecidos com os meus. Conheci muitas mulheres bacanas, fiz amizades e aprendi o quanto um grupo pode nos fortalecer. Pietro está com 1 ano e 10 meses e adora mamar. Descobri que amamentar é realmente um prazer e tudo o que vivenciei fez com que eu me engajasse nessa luta pelo direito de amamentar. Há pouco mais de um ano colaboro com as Amigas do Peito e faria tudo o que fiz de novo se tivesse que passar pelas mesmas dificuldades!

 

 

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3. Lojinha

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* A lojinha está com diversos produtos para você, seu filhote ou para presentear alguém especial. O destaque deste mês aqui no Boletim Peito Aberto são os bonecos de pano. Casal de bonecos com uma mãe grávida que pare e amamenta, com velcro nas mães que capacitam um abraço entre o casal e com o nenê. Confeccionados em pano, permitem o manuseio carinhoso e caloroso na descoberta da vida familiar. Os bonecos e bonecas são parte do Material Educativo usado no Projeto Lúdico Educativo na Comunidade, que é feito em parceria com diversas creches e Pré Escolas.

 

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4. Rede de Apoio

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* Para quem ainda não participou da nossa Rede de Apoio e gostaria de ajudar, as Amigas do Peito recebem doações de qualquer valor no Banco Bradesco, agência 3019-8, conta corrente 44109-0 e no Banco Itaú, agência 3820, conta-corrente 13109-6.  Caso queira colaborar de outra forma, entre em contato com a nossa sede, através do telefone (21) 2285-7779.

 

  • A causa das Amigas do Peito vem ganhando cada vez mais adeptos. Muito obrigado a todos os colaboradores por todo tipo de apoio que temos recebido!

 

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5. Especial: Mulher - Sexualidade –Amamentação                        Maria Lúcia Futuro

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…Quando falamos de mulher… quantas somos? Quem somos? Como somos? Quais os nossos papéis? Milhões de respostas diferentes para milhões de mulheres diferentes!

Mas essencialmente temos muitas coisas em comum: somos as únicas capazes de gestar e amamentar. Precisamos sim de apoio, acolhimento, amor familiar… mas temos o privilégio de termos este poder: poder gestar e parir e poder amamentar.

 

Entretanto isto pode ser transformado em obrigação ou encargo. Temos socialmente que usar os minutos certos de “nosso relógio biológico” para nos tornamos mães, e a sociedade coloca a maternidade como um encargo que “escolhemos” por determinação nossa e por tanto que se pague o preço!  Maternidade e jornada de trabalho de até 15 horas, competição no mercado de trabalho (cada vez mais competitivo), situações que não trazem benefício para os filhos de pais ou mães que nem os conhecem… então… para quê acatar esta imposição social de formarmos família?

 

A Máquina do Mercado é assim mesmo: consome nosso tempo, nossa energia, nossos valores e nossos desejos interiores.

Todas as pessoas precisam se tornar casais? Todos os casais precisam procriar? Todos têm que ter “sucesso” na vida? Quem dita estas regras? Quão éticas elas são? Quanto estão realmente ligadas aos corações e desejos de cada pessoa?

 

Mulher -trabalho, maternidade, amamentação, sexualidade, criatividade, sensualidade….sensualidade  de aproveitar os sentidos, sim, de até ser erótica, sim, mas sem muito mais.  Que isto: ser amorosa, ser em si e por si, mas ser capaz de acolher, de ser acolhida, de abrir o leque das relações e afetos, ser forte e frágil, ser combatente e vencedora,ter poder de serviço e deixar a dominação e o consumo relegados à memória.

Será que não nos compete esta transformação da sociedade? Será que não nos compete gestar este novo paradigma em parceria?

 

Veja o artigo completo no nosso site, www.amigasdopeito.org.br.

 

 

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6. Agenda de reuniões

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* Grupo de Botafogo:PRIMEIRAsexta-feira do mês,9h, na Casa de Rui Barbosa, Rua São Clemente, 134, próximo ao Metrô e com estacionamento grátis.

* Grupo da Tijuca: QUARTA terça-feira, 14h, na Igreja dos Capuchinhos, Rua Haddock Lobo, 266. Outra Entrada: Rua Alberto de Siqueira, 29.

* Grupo do Catete:TERCEIRA sexta-feira, 9h, no Museu da República, Rua do Catete, 153.

* Grupo de Niterói: TERCEIRO sábado, 9h, na frente da Biblioteca Infantil do Campo de São Bento, em Icaraí.

*Nos encontramos por lá!

 

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7. Expediente

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Disque-Amamentação: (21) 2285-7779 deixe recado- ligamos a cobrar Visite nossa página atualizada! www.amigasdopeito.org.br ou escreva para amigasdopeito@amigasdopeito.org.brSede das Amigas do Peito Tels.: (21) 2285-7779 - Fax: (21) 2205-7640 Rua do Catete, 214/612 - Rio de Janeiro, RJ - 22220-001 Horário de funcionamento: das 9h às 17h Emergências: ligue (21) 2508-1001 ou 4001-7722, código MOBI: 215 89 75

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