Amigas do Peito


Portal do Voluntário (5/2005).

  Quando uma mulher torna-se mãe, ela passa a pensar mais sobre a vida e como tornar esse mundo melhor para o filho que acaba de nascer. Foi assim que surgiu o grupo Amigas do Peito, idealizado pela saudosa atriz Bibi Vogel. Para conhecer melhor o trabalho dessas mães voluntárias, conversamos com uma das fundadoras do grupo, Cláudia Orthof, e com a voluntária Karina Kuschnir. Para elas, ser mãe não tem nada a ver com padecer no paraíso.

Portal do Voluntário - Como surgiu o grupo Amigas do Peito?
Karina Kuschnir - O Grupo de Mães Amigas do Peito surgiu em 1980, por iniciativa da atriz Bíbi Vogel, junto com outras mulheres que perceberam a importância de compartilhar dificuldades, expectativas e sucessos vividos com a amamentação. Nós, Amigas do Peito, somos uma ONG, sem fins lucrativos, formada por pessoas que acreditam na importância da amamentação, e que trabalham de forma voluntária para a proteção, promoção e apoio à amamentação.

Portal do Voluntário - Como trabalham as Amigas do Peito? 
Karina - A gente aprende muito trocando experiências e não dizendo “faça isso”, mas, sim, dizendo “eu fiz assim”, “desse jeito deu certo pra mim”, “isso foi difícil pra mim…” A gente vai construindo a solução de cada um. A gente incentiva e apóia cada mãe a descobrir a própria solução porque cada bebê é diferente do outro.

Portal do Voluntário - Quantas voluntárias são?

Cláudia Orthof - Somos 30.

Portal do Voluntário - E vocês só atuam no Rio de Janeiro?
Cláudia - As reuniões são só aqui, mas atendemos o Brasil inteiro pelo telefone 2285-7779 e pela internet.

Portal do Voluntário - E as reuniões são só para mães?
Karina - Não. São bem-vindos pais, avós, babás, tios, madrinhas.

Portal do Voluntário - Qual a freqüência das reuniões?
Cláudia - As reuniões são mensais, mas toda semana acontece uma porque cada semana é num bairro diferente.

Portal do Voluntário - Em que bairros é possível encontrar as Amigas do Peito?
Cláudia - Temos encontros em cinco pontos diferentes: Gávea, Tijuca, Botafogo, Santa Teresa e Niterói. Na Gávea, as reuniões são na PUC, mais precisamente no Solar Grand Jean Montigny. Na Tijuca é na Igreja dos Capuchinhos, que fica na Rua Hadock Lobo, 266. Em Botafogo é na Casa de Rui Barbosa, Rua São Clemente, 134. Em Santa Teresa, é na Rua Monte Alegre, 255, onde funciona o Museu Casa de Benjamim Constant. E em Niterói, no Campo de São Bento, em frente à Biblioteca Infantil, em Icaraí.

Portal do Voluntário - Cláudia foi uma das fundadoras, mas como você, Karina, descobriu o grupo?
Karina - Eu fazia parte de um grupo de gestantes com a Cláudia Orthof, uma das fundadoras das Amigas do Peito. E foi ela que me falou. Eu comecei a freqüentar as reuniões quando meu filho estava com oito meses. Comecei a participar como voluntária quando voltei ao trabalho. Foi o momento mais difícil…

Portal do Voluntário - Você diz que foi difícil por causa do desmame?
Karina - Ah, eu ficava com meu filho o dia todo, de repente, ter que me afastar dele foi duro. Acho que para a mulher, nos dias de hoje, sofre para conciliar todos os seus papéis: esposa, mãe, profissional, filha etc… Esse é o desafio!

Portal do Voluntário - E os pais também podem ser voluntários?
Karina - Claro! Quanto maior a participação do pai, melhor. A ajuda dele é fundamental. Ele não pode dar de mamar, mas pode dar sopinha, banho, trocar fraldas… Meu marido é voluntário do grupo, escreve artigos para o nosso site e participa de vários eventos.

Portal do Voluntário - Para você, qual a importância dessa troca de experiências nas reuniões do grupo Amigas do Peito?
Karina - É ver a diversidade. A gente ganha muito ouvindo, aprendendo que cada um é diferente… A gente ri das nossas desgraças também… hahaha…

Portal do Voluntário - E é possível perceber os benefícios dessa troca de experiências? 
Karina - É muito interessante observar as transformações. Por exemplo, uma mãe muito cansada e esgotada chega para a primeira reunião. Aí, eu penso “nossa eu já fui assim”… Um mês depois, você olha para a mesma mãe e ela é outra pessoa. Isso porque conhecendo outras mulheres que passaram pelas mesmas coisas e vendo que elas superaram, a mãe se torna mais segura e sabe que aquela fase vai passar logo. Assim, a mãe passa a aproveitar as coisas boas… E como tem coisa boa!!!
Cláudia - Nós, Amigas do Peito, valorizamos o prazer. Não tem essa de “ser mãe é padecer no paraíso”.

Portal do Voluntário - E o que uma mulher precisa para ser uma Amiga do Peito?
Karina - Uma qualidade de uma voluntária nossa é ser uma pessoa acolhedora. A gente não está aqui para criticar ninguém, nem ditar regras, a gente está aqui para acolher, para ouvir e contribuir no que puder.

Portal do Voluntário - Que tipos de conselhos vocês dão quando são procurados por uma mãe?
Karina - A gente primeiro pergunta qual a dificuldade dela, o que ela procura, do que gostaria, do que precisa. Nunca é o nosso desejo. A gente acolhe aquela pessoa dentro da vontade dela. Algumas chegam até nós apenas em busca de um ombro amigo, outras nos procuram porque têm um problema de ordem prática… Varia muito de pessoa para pessoa.

Portal do Voluntário - E o que esse trabalho voluntário traz para você?
Karina - A gente brinca porque acha que está dando muito, quando, na verdade, a gente ganha muito mais. É um chavão do voluntário, mas é isso mesmo, é muito verdadeiro. Você vai para a reunião achando que vai ajudar, mas acaba aprendendo tanto… São tantas fases… Amamentar não é só dar o peito, é dar carinho quando a criança cai e se machuca, é dar apoio quando o filho ou filha se apaixona e sofre pela primeira vez… O desmame, na verdade, é a vida inteira… É quando a criança entra no jardim de infância, é mudar de casa, é perder um avô… São perdas… É um aprendizado permanente mesmo.

Portal do Voluntário - E os seus filhos também são beneficiados pelo trabalho de vocês?
Cláudia - Você passa para os seus filhos a experiência no voluntariado. É o exemplo. Os meus foram muito marcados pela história do grupo Amigas do Peito. Cada um hoje tem seu compromisso social na sua área. Todos são voluntários. É o modelo que fica. É descobrir que você cresce por meio disso.

Portal do Voluntário - O que dizer para uma mãe que, depois de ler essa entrevista, ficou com vontade de participar das reuniões do grupo Amigas do Peito?
Cláudia - Não venha buscar respostas. Venha buscar a confiança para que você mesma responda suas questões e encontre soluções para seus problemas. Busque dentro de si mesmo a sua resposta e venha compartilhar com a gente.

  “Ser mãe é ser acolhedora”

Ao contrário do que diz o ditado, ser mãe não é padecer no paraíso. Pelo menos para a voluntária Cláudia Orthof. Ela é uma das fundadoras da ONG Amigas do Peito, que tem como objetivo principal a troca de experiências, expectativas e dúvidas sobre amamentação e maternidade. “Ser mãe é ser acolhedora, apoiar sempre”, completou, adiantando que não há receita a ser seguida: “A superação de problemas está dentro da pessoa”.

A instituição promove reuniões mensais com mães, pais, crianças, avós, avôs e interessados no tema da maternidade. “Buscamos a diversidade”, destaca Cláudia, 47 anos e que há 25 atua voluntariamente na ONG. Uma das situações que mais orgulha a voluntária é perceber que seu trabalho influenciou positivamente seus três filhos.

“Há um modelo que fica, uma herança para os filhos. Eles viram não só a questão da amamentação como também um compromisso social com os outros”, disse orgulhosa.

Para Karina Kuschnir, mãe de um menino, grávida do segundo e também voluntária do projeto, o fato de o grupo facilitar a troca de experiências entre mães ajuda a amenizar muitos problemas. “Muitas vezes a fala é importante. Desabafar, contar o que está acontecendo e saber que todas já passaram por problema semelhante e superaram”, completou.